{"provider_url": "https://www.ilhacomprida.sp.leg.br", "title": "480 anos de Iguape.", "html": "<p><strong>\u00a0 \u00a0</strong></p>\r\n<h2 style=\"text-align: center; \"><strong>480 anos de</strong></h2>\r\n<h2 style=\"text-align: center; \"><strong>Hist\u00f3ria e Tradi\u00e7\u00e3o</strong></h2>\r\n<p><strong>\u00a0\u00a0</strong></p>\r\n<p><strong>\u00a0\u00a0</strong></p>\r\n<p><strong>\u00a0 \u00a0</strong></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong style=\"text-align: justify; \"><em>CMIC</em>, 03/12/18 -\u00a0</strong><span style=\"text-align: justify; \">No dia 3 de dezembro de 1538, Iguape iniciou seu processo de habita\u00e7\u00e3o e desenvolvimento que teria altos e baixos durante quase 5 s\u00e9culos. O Lema Oficial da cidade de Iguape \u00e9 \"Detenho as virtudes dos paulistas\" e tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como Princesa do Litoral.</span></p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0 \u00a0\u00a0</p>\r\n<h3>Sambaquis</h3>\r\n<p>\u00a0 \u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">Os primeiros habitantes da regi\u00e3o onde hoje fica Iguape s\u00e3o conhecidos como \"Homens do Sambaqui\", povos muito primitivos que n\u00e3o conheciam sequer o arco e flecha e que viveram ali antes da chegada de \u00edndios com culturas mais avan\u00e7adas. Sambaqui \u00e9 o nome dado a grandes montes de conchas de ostras e marisco, depositadas ao longo de centenas ou talvez milhares de anos no mesmo lugar, e que eram consideradas como sendo locais m\u00e1gicos. Mais tarde, ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o dos Homens de Sambaqui, os \u00edndios que viriam a dar origem \u00e0 tribo Temimin\u00e9 passaram a enterrar seus mortos nesses sambaquis, dentro de grandes potes de barro chamados iga\u00e7abas, juntamente com os pertences dos mortos. Existem v\u00e1rios sambaquis no complexo estuarino-lagunar de Iguape e Cananeia, sendo o de mais f\u00e1cil acesso o s\u00edtio arqueol\u00f3gico \"Benedito Fortes\", onde est\u00e1 localizada a \"Caverna do \u00d3dio\", pr\u00f3ximo \u00e0 ponte que d\u00e1 acesso ao munic\u00edpio de Ilha Comprida, a pouco mais de um quil\u00f4metro do centro da cidade. At\u00e9 hoje, encontram-se vest\u00edgios de a\u00e7\u00f5es destes grupos ind\u00edgenas, representados atrav\u00e9s da estratigrafia, que mostra a sobreposi\u00e7\u00e3o de camadas correspondentes \u00e0s diversas ocupa\u00e7\u00f5es humanas, com a presen\u00e7a de manchas de carv\u00e3o das fogueiras, sambaquis com at\u00e9 5.000 anos, restos \u00f3sseos de peixes e de pequenos animais, e carapa\u00e7as de moluscos e crust\u00e1ceos.</p>\r\n<p style=\"text-align: justify; \">\u00a0\u00a0</p>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"5j8jc-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"5j8jc-0-0\"><span data-offset-key=\"5j8jc-0-0\">\u00a0\u00a0</span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"eiv1v-0-0\">\r\n<h3 data-offset-key=\"eiv1v-0-0\"><span data-offset-key=\"eiv1v-0-0\">In\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o europeia</span></h3>\r\n<p><span data-offset-key=\"eiv1v-0-0\">\u00a0\u00a0</span></p>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"abvef-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"abvef-0-0\"><span data-offset-key=\"abvef-0-0\">Em 1494, o Tratado de Tordesilhas firmado entre Portugal e Espanha estabelecia a dimens\u00e3o de suas posses rec\u00e9m-descobertas, inclusive nas terras americanas. O tratado definia, como linha de demarca\u00e7\u00e3o, um meridiano 370 l\u00e9guas a oeste do arquip\u00e9lago de Cabo Verde, passando sobre o territ\u00f3rio de Iguape. Possivelmente desde 1498, j\u00e1 vivia, na regi\u00e3o, o aventureiro espanhol Ruy Garcia Moschera, a quem \u00e9 oficialmente atribu\u00edda a funda\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio. Moschera vivera anteriormente no Rio da Prata e se instalara ali possivelmente por ser aquela uma regi\u00e3o de disputa entre espanh\u00f3is e portugueses. Por volta do ano 1502, o degredado portugu\u00eas Cosme Fernandes, conhecido como \"Bacharel de Cananeia\", tamb\u00e9m tornou-se uma figura poderosa na regi\u00e3o, vindo a possuir muitos escravos e n\u00e3o prestando obedi\u00eancia \u00e0 coroa portuguesa.</span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"a9mh6-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"a9mh6-0-0\"><span data-offset-key=\"a9mh6-0-0\"><br data-text=\"true\" /></span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"aqcsn-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"aqcsn-0-0\"><span data-offset-key=\"aqcsn-0-0\">Em 1532, pouco depois de chegar ao Brasil, Martim Afonso de Sousa ordenara a desocupa\u00e7\u00e3o por Moschera e pelo Bacharel do territ\u00f3rio onde hoje est\u00e1 Iguape, que pertenceria \u00e0 coroa portuguesa. N\u00e3o sendo atendido, ordenou uma expedi\u00e7\u00e3o chefiada por Pero de G\u00f3is que deveria executar a desocupa\u00e7\u00e3o \u00e0 for\u00e7a. Informados sobre a expedi\u00e7\u00e3o, Moschera e o Bacharel, apoiados por ind\u00edgenas flecheiros carij\u00f3s, capturaram um navio cors\u00e1rio franc\u00eas e desbarataram a for\u00e7a portuguesa. Entre os anos de 1534 e 1536, as for\u00e7as de Moschera e do Bacharel destru\u00edram a vila de S\u00e3o Vicente, matando a maior parte da popula\u00e7\u00e3o, libertando os prisioneiros e incendiando o cart\u00f3rio onde estavam os registros oficiais do munic\u00edpio, levando inclusive o Livro do Tombo, fonte oficial de informa\u00e7\u00e3o sobre a regi\u00e3o de Iguape e sobre seus fundadores. Ap\u00f3s os ataques, Moschera retornou ao rio da Prata.</span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"90l3h-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"90l3h-0-0\"><span data-offset-key=\"90l3h-0-0\"><br data-text=\"true\" /></span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"5h0f2-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"5h0f2-0-0\"><span data-offset-key=\"5h0f2-0-0\">A povoa\u00e7\u00e3o de Iguape continuou sob o dom\u00ednio do Bacharel Fernandes e teve sua primeira igreja, em homenagem a Nossa Senhora das Neves, constru\u00edda em 1537. A data de funda\u00e7\u00e3o de Iguape foi estabelecida em 3 de dezembro de 1538, ano em que Iguape e Cananeia se separaram. Em 1577, o povoado foi elevado \u00e0 categoria de \"Freguesia de Nossa senhora das Neves da Vila de Iguape\", ano em que foi aberto o primeiro livro do tombo da Igreja de Nossa Senhora das Neves.\u00a0</span></div>\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"5h0f2-0-0\"><span data-offset-key=\"5h0f2-0-0\">\u00a0\u00a0</span></div>\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"5h0f2-0-0\"><span data-offset-key=\"5h0f2-0-0\">\u00a0\u00a0</span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"6nj1c-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"6nj1c-0-0\"><span data-offset-key=\"6nj1c-0-0\">\u00a0\u00a0</span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"3in81-0-0\">\r\n<h3 data-offset-key=\"3in81-0-0\"><span data-offset-key=\"3in81-0-0\">Mudan\u00e7a de local</span></h3>\r\n<p><span data-offset-key=\"3in81-0-0\">\u00a0\u00a0</span></p>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"f9qgc-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"f9qgc-0-0\"><span data-offset-key=\"f9qgc-0-0\">Existente at\u00e9 o primeiro quartel do s\u00e9culo XVII onde hoje est\u00e1 a vila de Icapara, a falta de \u00e1gua pot\u00e1vel, a falta de espa\u00e7o para expans\u00e3o e eventuais ataques piratas levaram \u00e0 transfer\u00eancia da freguesia para uma \u00e1rea alguns quil\u00f4metros ao sul por ordem do fidalgo portugu\u00eas Eleodoro \u00c9bano Pereira. Ainda no s\u00e9culo XVI, haviam sido descobertos os primeiros sinais de ouro na regi\u00e3o do Vale do Ribeira. Devido \u00e0 sua abund\u00e2ncia, a procura logo se intensificou e, rapidamente, a explora\u00e7\u00e3o do ouro de aluvi\u00e3o se tornou a principal atividade econ\u00f4mica do munic\u00edpio. Para evitar o contrabando e intensificar a cobran\u00e7a de impostos pela coroa portuguesa, foi fundada, por volta de 1630, a Casa de Oficina Real de Fundi\u00e7\u00e3o de Ouro, que \u00e9 considerada a primeira do g\u00eanero no Brasil.</span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"4l1ou-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"4l1ou-0-0\"></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"823pd-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"823pd-0-0\"><span data-offset-key=\"823pd-0-0\">Em 1647, no auge da riqueza proporcionada pelo ouro, Iguape transformou-se em um centro de peregrina\u00e7\u00e3o. Na descri\u00e7\u00e3o do aparecimento da imagem do Senhor Bom Jesus de Iguape, dois \u00edndios que iam a caminho da Vila Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o de Itanha\u00e9m acharam um vulto desconhecido rolando nas ondas, e levaram-no para a praia, onde cavaram um buraco e o colocaram em p\u00e9 com o rosto para o nascente. Ao retornar, os \u00edndios acharam a imagem no mesmo lugar, mas com o rosto virado para o poente, e acharam estranho n\u00e3o haver vest\u00edgio sequer de que algu\u00e9m o tivesse movido. A not\u00edcia se espalhou e a imagem foi levada para um riacho no sop\u00e9 do Morro do Espia, onde, sobre as pedras, foi banhada para lhe retirar o sal marinho e ser encarnada novamente. Depois de ser decorada, foi entronizada no altar-mor da antiga Igreja de Nossa Senhora das Neves.</span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"34uun-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"34uun-0-0\"></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"7in7q-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"7in7q-0-0\"><span data-offset-key=\"7in7q-0-0\">Na d\u00e9cada de 1780, foi dado in\u00edcio \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da nova igreja matriz, haja vista a outra estar em prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es. Feita de argamassa, \u00f3leo de baleia e pedras retiradas da face mar\u00edtima do morro, todo o trabalho era executado pela popula\u00e7\u00e3o, volunt\u00e1ria e gratuitamente. Em 1798, as obras estavam avan\u00e7ando lentamente, e em 1800, estas pararam, retornando em datas espor\u00e1dicas. Em 1822, foram contratados, no Rio de Janeiro, um mestre e tr\u00eas canteiros e, em agosto do mesmo ano, recome\u00e7ou-se a obra. A igreja foi conclu\u00edda em julho de 1856, e no dia 8 de agosto do mesmo ano, foram trasladadas as imagens da antiga igreja para a nova Igreja Matriz. Em 3 de abril de 1848, a vila fora elevada \u00e0 categoria de cidade, com o nome de \"Bom Jesus da Ribeira\", no ano seguinte modificado para \"Bom Jesus de Iguape\".</span></div>\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"7in7q-0-0\"><span data-offset-key=\"7in7q-0-0\">\u00a0\u00a0</span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"2beuv-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"2beuv-0-0\"><span data-offset-key=\"2beuv-0-0\"><br data-text=\"true\" /></span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"cajbs-0-0\">\r\n<h3 data-offset-key=\"cajbs-0-0\"><span data-offset-key=\"cajbs-0-0\">Arroz e o Valo Grande</span></h3>\r\n<p><span data-offset-key=\"cajbs-0-0\"><br /></span></p>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"fburn-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"fburn-0-0\"><span data-offset-key=\"fburn-0-0\">Com o esgotamento das minas e com o descobrimento de ouro no interior do Brasil, o munic\u00edpio rapidamente entrou em decl\u00ednio, voltando depois a crescer com o desenvolvimento da ind\u00fastria de navega\u00e7\u00e3o e com a planta\u00e7\u00e3o de arroz. A partir da\u00ed, Iguape iniciou um per\u00edodo de riqueza e atingiu seu \u00e1pice de desenvolvimento em meados do s\u00e9culo XIX, com a constru\u00e7\u00e3o dos principais casar\u00f5es que ainda hoje podem ser vistos no centro hist\u00f3rico, com dois portos movimentados, teatros, quatro jornais di\u00e1rios e o vice-consulado portugu\u00eas. Iguape havia se tornado uma dos principais do munic\u00edpio do sul do Brasil, a ponto de, em 1841, o ainda adolescente imperador dom Pedro II ter concedido a Ant\u00f4nio da Silva Prado, pol\u00edtico e senhor de terras, o t\u00edtulo de Bar\u00e3o de Iguape.</span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"5jif5-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"5jif5-0-0\"><span data-offset-key=\"5jif5-0-0\"><br data-text=\"true\" /></span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"dr2u9-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"dr2u9-0-0\"><span data-offset-key=\"dr2u9-0-0\">At\u00e9 meados do s\u00e9culo XIX, Iguape sempre havia sido uma esp\u00e9cie de pen\u00ednsula, com o Rio Ribeira de Iguape serpenteando at\u00e9 quase tr\u00eas quil\u00f4metros do mar e depois retornando para o interior, s\u00f3 encontrando sua foz muitos quil\u00f4metros adiante. As sacas de arroz que vinham da zona rural eram descarregadas no Porto do Ribeira, fluvial, de onde eram transportadas em lombo de burro ou carro\u00e7as por aproximadamente tr\u00eas quil\u00f4metros at\u00e9 o Porto Grande, mar\u00edtimo, onde eram embarcadas para exporta\u00e7\u00e3o. O inconveniente de se ter de transportar o arroz por terra em um trecho t\u00e3o curto levou \u00e0 ideia e se construir um canal que ligasse o rio ao mar, permitindo assim o transporte direto do arroz at\u00e9 as embarca\u00e7\u00f5es de grande porte. Ap\u00f3s d\u00e9cadas de debates sobre o melhor local para a constru\u00e7\u00e3o do canal, decidiu-se pelo trecho mais curto, que era tamb\u00e9m o mais arenoso e, portanto, mais f\u00e1cil de ser constru\u00eddo.</span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"1a8cj-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"1a8cj-0-0\"><span data-offset-key=\"1a8cj-0-0\"><br data-text=\"true\" /></span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"5ja1e-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"5ja1e-0-0\"><span data-offset-key=\"5ja1e-0-0\">O canal foi constru\u00eddo por escravos por mais de duas d\u00e9cadas e come\u00e7ou a ser utilizado em 1852. Inicialmente um canal estreito, com cerca de quatro metros de largura, o canal rapidamente come\u00e7ou a alargar, n\u00e3o resistindo \u00e0 imensa corrente de \u00e1gua. Por volta de 1900, com a conten\u00e7\u00e3o das margens, controlou-se o controle do fluxo de \u00e1gua no canal, mas O Mar Pequeno ficou assoreado, o que acabou impedindo a entrada de navios grandes no porto. O porto da cidade j\u00e1 n\u00e3o podia ser utilizado por embarca\u00e7\u00f5es de maior calado, impedindo assim a sa\u00edda do arroz e levando \u00e0 decad\u00eancia da cultura de arroz da cidade. Al\u00e9m disso, o atalho encontrado pelo rio atrav\u00e9s do canal acabou influenciando fortemente o ciclo de cheias que inundavam a regi\u00e3o periodicamente e que a tornavam t\u00e3o f\u00e9rtil. O impacto causado pelo Valo Grande, o decl\u00ednio da cultura de arroz e os problemas pol\u00edticos levaram \u00e0 decad\u00eancia do munic\u00edpio no final do s\u00e9culo XIX. De um importante centro agroexportador, a cidade foi aos poucos perdendo import\u00e2ncia.</span></div>\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"5ja1e-0-0\"><span data-offset-key=\"5ja1e-0-0\">\u00a0\u00a0</span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"7n02m-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"7n02m-0-0\"><span data-offset-key=\"7n02m-0-0\"><br data-text=\"true\" /></span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"4vh7p-0-0\">\r\n<h3 data-offset-key=\"4vh7p-0-0\"><span data-offset-key=\"4vh7p-0-0\">Imigrantes</span></h3>\r\n<p><span data-offset-key=\"4vh7p-0-0\">\u00a0 \u00a0</span></p>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"12c7d-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"12c7d-0-0\"><span data-offset-key=\"12c7d-0-0\">No final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX, imigrantes vindos principalmente da It\u00e1lia e do Jap\u00e3o chegaram a Iguape atrav\u00e9s de col\u00f4nias implantadas pelo governo federal e estatual. A cidade ganhou assim uma marcante influ\u00eancia desses colonos, especialmente dos japoneses, que hoje respondem por mais de 10% da popula\u00e7\u00e3o da cidade e tem bastante influ\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e na ind\u00fastria pesqueira.</span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"7asov-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"7asov-0-0\"><span data-offset-key=\"7asov-0-0\"><br data-text=\"true\" /></span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"19vd0-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"19vd0-0-0\"><span data-offset-key=\"19vd0-0-0\">Atrav\u00e9s do Decreto N\u00famero 6 455, de 19 de abril de 1907, o governo federal criou o Servi\u00e7o de Povoamento do Solo Nacional, devido \u00e0 inefic\u00e1cia alguns estados da federa\u00e7\u00e3o em n\u00e3o possuir capital para criar e manter n\u00facleos coloniais, ficou ent\u00e3o determinado mediante o Decreto N\u00famero 6 479 de 16 de maio de 1907, que a Uni\u00e3o poderia intervir no estado com rela\u00e7\u00e3o aos assuntos de imigra\u00e7\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o, haja vista, a negativa do governo paulista em ceder terras nesta regi\u00e3o, alegando quest\u00f5es econ\u00f4micas e estrat\u00e9gicas. Houve a substitui\u00e7\u00e3o por terras devolutas (50.000 hectares.), situadas no Vale do Ribeira, na \u00e9poca comarca de Iguape, cedidas oficialmente no ano de 1912 ao Tokyo Sindicate (Sindicato de T\u00f3quio) representado por Ikutaro Ayoagui e que, um ano depois, veio se transformar na Brazil Takushoku Kaisha (Companhia Colonizadora do Brasil Ltda.), autorizada pelo decreto n\u00b0 10.248 de 2 de junho de 1913, a exercer suas atividades em solo brasileiro. As terras da regi\u00e3o passaram a ser exploradas a partir de 1913, pela lei n\u00b0 43, de 21 de outubro de 1913, presente no Livro de Registro de Leis da C\u00e2mara Municipal de Iguape, a qual autoriza o prefeito, coronel Ant\u00f4nio Jeremias Muniz Junior, a adquirir o s\u00edtio Jipovura, para ser doado a Brazil Takushoku Kaisha, a fim de ali ser fundado um n\u00facleo colonial, com objetivo de desenvolver a principal atividade econ\u00f4mica da regi\u00e3o, o cultivo do arroz.</span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"9fvf4-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"9fvf4-0-0\"><span data-offset-key=\"9fvf4-0-0\"><br data-text=\"true\" /></span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"f6mc1-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"f6mc1-0-0\"><span data-offset-key=\"f6mc1-0-0\">Dessa forma, surgiram os n\u00facleos coloniais de Registro, Sete Barras e Katsura (Jipovura) que formavam a Col\u00f4nia de Iguape. Dentre estes n\u00facleos destacava-se a Col\u00f4nia de Katsura, criada em 9 de novembro de 1913, no bairro Jipovura, considerada o marco zero da coloniza\u00e7\u00e3o japonesa no Brasil. Inicialmente, a primeira comunidade foi chamada de Katsura Shokuminchi (\"Col\u00f4nia Katsura\"), em homenagem ao Primeiro Ministro do Jap\u00e3o na \u00e9poca, Katsura Taro, um dos grandes incentivadores da imigra\u00e7\u00e3o japonesa para o Brasil.</span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"52m9g-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"52m9g-0-0\"><span data-offset-key=\"52m9g-0-0\"><br data-text=\"true\" /></span></div>\r\n</div>\r\n<div data-block=\"true\" data-editor=\"dq17e\" data-offset-key=\"2f1po-0-0\">\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"2f1po-0-0\"><span data-offset-key=\"2f1po-0-0\">Ap\u00f3s anos de prosperidade, a col\u00f4nia acumulou infraestrutura invej\u00e1vel para a \u00e9poca, havia escola, ambulat\u00f3rio m\u00e9dico, ag\u00eancia de correio, f\u00e1brica de beneficiamento de arroz, estabelecimentos comerciais, alojamentos para hospedar imigrantes, escola mista japonesa e brasileira, inclusive um porto, com viagens regulares dos barcos a vapor da Companhia de Navega\u00e7\u00e3o Fluvial Sul Paulista. A maior parte desta estrutura era financiada pelo capital japon\u00eas da Brazil Takushoku Kaisha. Por isso, a Lei Federal N\u00ba 11.642, de 11 janeiro de 2008, decretou que o munic\u00edpio de Iguape \u00e9 considerado o \"ber\u00e7o da coloniza\u00e7\u00e3o japonesa no Brasil\".</span></div>\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"2f1po-0-0\"><span data-offset-key=\"2f1po-0-0\">\u00a0\u00a0</span></div>\r\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify; \" data-offset-key=\"2f1po-0-0\"><span data-offset-key=\"2f1po-0-0\">\u00a0\u00a0</span></div>\r\n</div>", "author_name": "Gian Gon\u00e7alves", "version": "1.0", "author_url": "https://www.ilhacomprida.sp.leg.br/author/Gian Gon\u00e7alves", "provider_name": "C\u00e2mara Municipal de Ilha Comprida", "type": "rich"}